Tatau e Carlinhos Brown falam sobre inspirações em processos criativos que marcaram o axé music

  • 18/05/2024
(Foto: Reprodução)
Artistas baianos participaram, nesta sexta-feira (17), do episódio de estreia da segunda temporada do "Diga Aí", talk show comandado pela jornalista Jessica Senra. Jessica Senra recebe Carlinhos Brown e Tatau na segunda temporada do 'Diga Aí' Reprodução/TV Bahia Quando começou a compor, aos 16 anos, o jovem Gilson Menezes dos Santos Dórea não imaginava que se tornaria Tatau, lenda do axé music e autor de sucessos que iriam reverberar por décadas na Música Popular Brasileira. O baiano participou, nesta sexta-feira (17), da estreia da segunda temporada do "Diga Aí", talk show comandado pela jornalista Jessica Senra e transmitido na TV Bahia. 📱 NOTÍCIAS: faça parte do canal do g1 Bahia no WhatsApp Ao lado do também icônico soteropolitano Carlinhos Brown, ele recordou a época em que começou a escrever letras inspiradas nas próprias vivências, motivado por uma "mente inquieta", que se admirava ao ver outros artistas - sobretudo, negros, como são os dois entrevistados. "Eu era movido por tanta gente boa que eu escutei na minha vida, que eu vi. Eu tinha o olhar inquieto de ver Tony Tornado, Michael Jackson, Marvin Gaye, Caetano [Veloso], [Gilberto] Gil, [Maria] Bethânia... Busquei quem, naquela época, eram as grandes referências e hoje sou um pouco de cada um deles" afirmou Tatau. Tatau durante o programa 'Diga Aí', comandado por Jessica Senra Reprodução/TV Bahia O eterno líder do Araketu, além de criar canções para a própria carreira, também compõe para outros artistas e grupos musicais como, por exemplo, o Olodum. Uma das músicas mais emblemáticas é dos anos 80: "Protesto Olodum", que aborda temas como Aids, poluição ambiental e pobreza. "Resolvi fazer 'Protesto Olodum' baseado nas coisas que eu tinha conhecimento na época. Cubatão [em São Paulo] era a cidade mais poluída do mundo e isso me indignava. Inventei uma palavra chamada 'nordestópia', que era a situação da Etiópia muito parecida com algumas regiões do Nordeste", explicou. "Talvez essa seja a primeira música considerada documentário, porque ela foi pegando relatos [da época]. Ela ganhou como música do carnaval e fez parte da trilha sonora do filme 'Ó Paí, Ó', muitos anos depois", complementou. Torcida brasileira na Copa da Rússia cria versão de música famosa do Araketu e Tatau grava canção Tatau relembra composições icônicas na estreia da segunda temporada do 'Diga Aí' Reprodução/TV Bahia Durante o programa, o "cacique" Carlinhos Brown também comentou as inspirações que embasam o trabalho dele enquanto cantor, compositor, produtor musical e multi-instrumentista. Ele mencionou, por exemplo, a forte relação com elementos religiosos sagrados e a tradição que mantém ao abrir os trabalhos no palco reverenciando os guias e orixás. "Quando a gente sai de casa ou abre a chave para se comunicar, é necessário que a gente seja reverente e referente. A minha referência é o orixá", enfatizou. 🎙️ Podcast Eu te Explico #80: Carlinhos Brown completa 60 anos como referência brasileira de artista multifacetado Brown também comentou sobre a admiração que sente pela mãe Madalena Freitas, mais conhecida como dona Madá. A ligação com a matriarca o inspira na criação dos oito filhos e já apareceu em letras de músicas, entre elas "Papa Papet", gravada pela banda Timbalada, criada por Brown, no fim dos anos 80. "Queria que queria Era chegar na Timbalada, Pra ver chegar a menina Madalena. Ao som da bacurinha Sacudir a Madalena, Contagiando todos que ali estavam." LEIA TAMBÉM: QUIZ: 'Me pinte aqui pra Timbalada': Você conhece a trajetória dos 30 anos da banda? Timbalada saúda a ancestralidade viva em três décadas de axé Carlinhos Brown participou da estreia da segunda temporada do 'Diga Aí' Reprodução/TV Bahia No programa, o cacique recordou uma curiosidade da época em que despontou como percussionista, em meados dos anos 80, no grupo Acordes Verdes. A mãe fazia a marmitas durante o carnaval de Salvador e esperava o trio passar pela Praça da Piedade, para entregar a comida dele. "Ela levava e eu botava em cima do gerador, para ficar quentinha [na hora que fosse comer]", revelou. Quando pequeno, Brown batucava nos baldes da mãe, que era lavadeira e hoje tem um restaurante. Já adulto, inventou instrumentos musicais, como a ASA, a caxirola, o surdo-virado e a bacurinha, devidamente referenciada em "Papa Papet". "Tudo o que eu crio, tudo o que eu sou, é fruto da mulher que me criou, do que vivi na infância, de onde e vim. Eu sou o filho mais velho, então pude presenciar muitas coisas, muitas vezes em que minha mãe se sacrificou por mim e pelos meus irmãos. E hoje enxergo minha mãe ainda maior". Confira o episódio na íntegra 👇 Tatau e Carlinhos Brown participam do primeiro episódio da nova temporada do 'Diga Aí' 📺 Confira trechos do episódio Tatau fala sobre processo criativo do sucesso 'Protesto Olodum' Carlinhos Brown fala da época em que sua mãe fazia sua marmita durante o carnaval 'Minha referência é o orixá', afirma Carlinhos Brown ao falar sobre relação com a fé Apresentadora Jessica Senra se emociona ao ser elogiada por Tatau 🎬 Assista aos cortes do Diga Aí

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/diga-ai/noticia/2024/05/18/tatau-e-carlinhos-brown-falam-sobre-inspiracoes-em-processos-criativos-que-marcaram-o-axe-music.ghtml


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